Losing it

Sempre fui uma pessoa calma e pacífica nunca despertei grandes amores mas também nunca despertei muitos desamores. Em conformidade também nunca fui de não gostar de coisas ou pessoas, a minha mãe costumava dizer que “para a Ana está sempre tudo bem” e deve ter sido por ter estado tudo sempre tão bem, durante tanto tempo, que o copo transbordou. “Estar sempre tudo bem” não é boa política, nem mesmo para aqueles que não querem ter chatices, um dia a acordas e puff a paciência foi-se e voltar a encontra-la é tarefa quase impossível. Também não sou de rancores, normalmente zango-me, digo o que tenho a dizer é terapeutico e dali a meia hora já me passou. Tudo se transforma, tudo evolui mas neste caso em particular sinto-me a andar para trás. Há umas quantas personagens com quem tenho muita dificuldade em lidar. Com quem chegou a um ponto que se pega num tique, que pode ser tão insignificante como ter o dedo mindinho esticado a beber o café, e já não se aguenta, só tenho é vontade de lhes bater. Pode ser que isto seja do calor mas até me faz mal ao coração…

p.s. “estar sempre tudo bem” é o mesmo que dizer às outras pessoas que tu não te importas e elas podem fazer o que entendem, como entendem.  Elas habituam-se a levar a delas avante sem reconhecimento de que às vezes não é bem aquilo que é bom para o outro… não há nada pior nesta vida do que a habituação.

Dumb and Dumber

Chegaram à praia cedo retornados de França que deu ao filho o nome de Mikael por serem da mesma geração que o Tony Carreira. Perdi a conta ao número de vezes que disse caralho à frente do filho com dois anos, da mulher grávida e do irmão gémeo com quem brincou como quando tinham 5 anos. Enterraram-se na areia, encheram-me de areia, acertaram-me umas quantas vezez com a bola, em nenhuma pediram desculpa era como não soubessem a língua, não, não era isso, era a inocência do estúpido que aos 35 se comporta como um animal, mas que é feliz. E afinal não é a procura da felicidade a grande procura da humanidade, das nossas vidas…

Follow the crowd…

Não gosto de multidões. Nunca gostei mas antes não sabia. Não gosto de centros comerciais à pinha, não gosto de casa cheia no cinema, não gosto de praias sem espaço para a minha toalha nem de bares de fim da tarde que não têm cadeiras livres e onde não se ouve o mar. Não sou a única, não gostar de multidões não é defeito, vivo bem com isso o problema é quando 3,4 ou 5 passam a ser uma multidão….

“Time to Market”

Existe um tempo certo para tudo. Tempo para parar, escutar e recarregar baterias, tempo para arregaçar as mangas e ir à luta, para rir, para chorar, para tudo. Tenho deixado o tempo escapulir-me entre os dedos, o tempo tem saldo negativo comigo deve-me horas, deve-me dias e eu fiquei a dever coisas à vida. Reconhecer que há tempo certo para tudo é muito diferente de reconhecer que estamos no tempo certo de fazer alguma coisa, aliás acredito que apenas percebemos que o tempo certo para isto ou aquilo tenha sido aquele, quando passou, às vezes não tem importância, outras tem demais. É um exercício que exige disponibilidade e maturidade, talvez com o “tempo” melhore…