A violência está na moda

Esta notícia tem chocado o País e com razão. Ontem dormi mal porque vi este vídeo pouco tempo antes de me deitar, fiquei inquieta e com ansiedade. Hoje ao ver os comentários nas redes socais além da indignação há uma grande maioria que acha que o “castigo deve ser severo”, que “se fosse o meu filho elas ficam numa cadeira de rodas”, “deviam ser esbofeteadas” etc e tal.

Esta idea de tratar a violência com mais violência assusta-me e faz-me sentir que estamos tão longe… mas tão longe. Não percebo estes comentários e chocam-me em igual medida que me choca o video, mas se calhar sou só eu…

Uma mulher também pode ser frágil

Sempre detestei que me chamassem Aninhas. É muito raro que alguém me chame Aninhas, mesmo muito. É curioso que das poucas vezes em que isso acontece são sempre pessoas que eu admiro e tenho consideração, aquelas que o meu ego quer impressionar e aquelas das quais eu gostava de me sentir ainda mais próxima. Mas sempre que a “Aninhas” aparecia crescia em mim desconforto, indignação mesmo, em segundos tenho o ego a dizer:

“Aninhas? Mas agora és uma coitadinha? uma queridinha? Tu queres é ser forte, bruta até, mas pequenina? frágil? Ninguém vai gostar de ti assim.”

E era isto de todas as vezes. Como se ser frágil, como se ser querido não fosse um direito meu, como se eu tivesse sempre que ser forte, tivesse sempre que ter resposta tivesse sempre que me superar, como se pedir ajuda, chorar em público ou ceder fosse menos, me tornasse menos.

Apercebi-me recentemente que eu também sou a Aninhas eu também sou querida, eu também sou frágil, eu também tenho coração e posso permitir-me ceder a ele. Não preciso de estar sempre alerta à espera de ataque, não preciso que me vejam como forte. É isto que para mim é ser feminista é aceitar-me e permitir o meu lado mais “suave” floresça sem me sentir diminuída, é sentir, é respeitar-me, não é ficar à espera que me salvem, é deixar-me sentir.

Tenho dias em que sou frágil tenho dias em que sou forte na maioria dos dias quero apenas ser.

Awakening the Spine

the human spine has a natural division (at the fifth lumbar vertebrae) which allows it to move in opposite ways simultaneously: from the waist downwards pulled by gravity and from the waist upwards, through the top of the head, lifting us upwards effortlessly.

Vanda Scaravelli

Espelho meu espelho meu…

A ideia que temos de nós próprios não corresponde à realidade. Na nossa cabeça somos sempre mais bonitos, mais magros, mais inteligentes, mais bondosos. Guess what? You are lying to yourself. A consciência deste facto é um processo doloroso. Evitas olhar-te no espelho quando a outra está lá, é mais fácil. A questão que se impõe é: porquê? Qual é a necessidade de nos filtramos a nós próprios quando já filtramos tudo o que nos rodeia moldado-o à nas nossa imagem? If you can’t bare yourself how can you be standing next to others.

O nada que é tudo

“…E nós que passamos o tempo a fazer planos e a decidir e escolher caminhos, para no entanto tudo ser volátil, tudo se resumir a nada de um momento para o outro, de um instante para um segundo tudo perder o significado, o interesse, a importância,,,”

 

E da mesma forma que tudo se transforma em nada, num ápice o nada passa a ser tudo e tudo volta a ter significado e importância. O nada, não é nada mais que o espaço para que o tudo chegue e ocupe o espaço, como o sol e a lua, nunca em simultâneo mas sempre um com o outro.

Losing it

Sempre fui uma pessoa calma e pacífica nunca despertei grandes amores mas também nunca despertei muitos desamores. Em conformidade também nunca fui de não gostar de coisas ou pessoas, a minha mãe costumava dizer que “para a Ana está sempre tudo bem” e deve ter sido por ter estado tudo sempre tão bem, durante tanto tempo, que o copo transbordou. “Estar sempre tudo bem” não é boa política, nem mesmo para aqueles que não querem ter chatices, um dia a acordas e puff a paciência foi-se e voltar a encontra-la é tarefa quase impossível. Também não sou de rancores, normalmente zango-me, digo o que tenho a dizer é terapeutico e dali a meia hora já me passou. Tudo se transforma, tudo evolui mas neste caso em particular sinto-me a andar para trás. Há umas quantas personagens com quem tenho muita dificuldade em lidar. Com quem chegou a um ponto que se pega num tique, que pode ser tão insignificante como ter o dedo mindinho esticado a beber o café, e já não se aguenta, só tenho é vontade de lhes bater. Pode ser que isto seja do calor mas até me faz mal ao coração…

p.s. “estar sempre tudo bem” é o mesmo que dizer às outras pessoas que tu não te importas e elas podem fazer o que entendem, como entendem.  Elas habituam-se a levar a delas avante sem reconhecimento de que às vezes não é bem aquilo que é bom para o outro… não há nada pior nesta vida do que a habituação.

Dumb and Dumber

Chegaram à praia cedo retornados de França que deu ao filho o nome de Mikael por serem da mesma geração que o Tony Carreira. Perdi a conta ao número de vezes que disse caralho à frente do filho com dois anos, da mulher grávida e do irmão gémeo com quem brincou como quando tinham 5 anos. Enterraram-se na areia, encheram-me de areia, acertaram-me umas quantas vezez com a bola, em nenhuma pediram desculpa era como não soubessem a língua, não, não era isso, era a inocência do estúpido que aos 35 se comporta como um animal, mas que é feliz. E afinal não é a procura da felicidade a grande procura da humanidade, das nossas vidas…

Follow the crowd…

Não gosto de multidões. Nunca gostei mas antes não sabia. Não gosto de centros comerciais à pinha, não gosto de casa cheia no cinema, não gosto de praias sem espaço para a minha toalha nem de bares de fim da tarde que não têm cadeiras livres e onde não se ouve o mar. Não sou a única, não gostar de multidões não é defeito, vivo bem com isso o problema é quando 3,4 ou 5 passam a ser uma multidão….