Uma mulher também pode ser frágil

Sempre detestei que me chamassem Aninhas. É muito raro que alguém me chame Aninhas, mesmo muito. É curioso que das poucas vezes em que isso acontece são sempre pessoas que eu admiro e tenho consideração, aquelas que o meu ego quer impressionar e aquelas das quais eu gostava de me sentir ainda mais próxima. Mas sempre que a “Aninhas” aparecia crescia em mim desconforto, indignação mesmo, em segundos tenho o ego a dizer:

“Aninhas? Mas agora és uma coitadinha? uma queridinha? Tu queres é ser forte, bruta até, mas pequenina? frágil? Ninguém vai gostar de ti assim.”

E era isto de todas as vezes. Como se ser frágil, como se ser querido não fosse um direito meu, como se eu tivesse sempre que ser forte, tivesse sempre que ter resposta tivesse sempre que me superar, como se pedir ajuda, chorar em público ou ceder fosse menos, me tornasse menos.

Apercebi-me recentemente que eu também sou a Aninhas eu também sou querida, eu também sou frágil, eu também tenho coração e posso permitir-me ceder a ele. Não preciso de estar sempre alerta à espera de ataque, não preciso que me vejam como forte. É isto que para mim é ser feminista é aceitar-me e permitir o meu lado mais “suave” floresça sem me sentir diminuída, é sentir, é respeitar-me, não é ficar à espera que me salvem, é deixar-me sentir.

Tenho dias em que sou frágil tenho dias em que sou forte na maioria dos dias quero apenas ser.

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